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12 de Dezembro de 2018
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    Murilo Antunes Alves, o decano do radiojornalismo

    Faleceu na última segunda feira em São Paulo, dia 15 de fevereiro de 2010, o jornalista Murillo Antunes Alves, nascido em Itapetininga, São Paulo, em 28 de abril de 1919. Era filho de Antonio Antunes Alves e Floriza Piedade Alves. Fez seus primeiros estudos em sua cidade natal, sendo o primeiro aluno das suas turmas desde que ingressou no curso primário, até o último ano da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na qual formou-se em1943. Sua vocação sempre foi o jornalismo, manifestando-se logo aos 14 anos, quando foi redator chefe do jornal estudantil O Arauto, em Itapetininga. Também foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo, mesmo depois de ter se estabelecido na capital do estado para estudar. Na época, o seu pagamento era uma assinatura do jornal. O seu primeiro registro na carteira profissional foi como repórter do jornal A Tribuna Popular, de Itapetininga, no ano de 1935.

    Ao vir morar em São Paulo, concretizou o desejo de trabalhar em rádio, ao ser contratado pela Rádio São Paulo, em 1º de março de 1938, onde ficou por quatro anos, inicialmente como locutor e depois como comentarista esportivo, em parceria com Geraldo José de Almeida. Seu primeiro programa foi o Broadway Melody, de música americana. Em 1946, foi para a Rádio Bandeirantes, sendo o primeiro locutor esportivo da emissora. Posteriormente, trabalhou nas rádios Cultura, Gazeta e Tupi, passando depois para a Rádio Record, em 1º de maio de 1947, onde fez várias reportagens, inclusive no exterior, e entrevistas com personalidades tais como os políticos Adhemar de Barros, Getúlio Vargas, e Jânio Quadros; e jornalistas, como Samuel Weiner. Foi Murillo quem fez a última entrevista com Monteiro Lobato, dois dias antes do falecimento do escritor, em 1948. Cobriu acontecimentos importantes como as eleições italianas em 1948, o Ano Santo em 1949, no Vaticano, as eleições nos Estados Unidos em 1952.

    Por sua marcante atuação profissional ganhou por sete vezes o prêmio Roquette Pinto, como melhor repórter do rádio. Começou sua carreira na TV Record no dia 27 de setembro de 1953, quando da inauguração da emissora, como responsável pela parte política do jornalismo da televisão, na qual participava do programa "Última Edição". Fez também o Repórter Esso em São Paulo, no qual trabalhou como comentarista e repórter.

    Quando da posse do presidente Jânio Quadros, foi nomeado oficial do Gabinete da Presidência da República em 1961. Posteriormente, entre 1971 e 1974, foi chefe do Cerimonial do Governo do Estado de São Paulo, gestão de Laudo Natel.

    Nas eleições de 3 de outubro de 1992, foi eleito vereador à Câmara Municipal de São Paulo, pelo PMDB, com 13.609 votos, exercendo seu mandato de 1º de janeiro de 1993 até 31 de dezembro de 1996, sendo no ano de 1995 escolhido por seus pares 1º vice-presidente da edilidade paulistana. Na legislatura foi membro das Comissões de Constituição e Justiça, de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica. Foi candidato à reeleição no pleito de 1996, mas obteve apenas uma suplência. Depois ocupou a chefia do Cerimonial da Câmara Municipal de São Paulo.

    Ligado ao esporte, teve escritório de advocacia até 1961, em Brasília, especializando-se em direito desportivo. Integrou o Tribunal de Justiça Desportiva, e foi, por mais de 40 anos, assessor jurídico da Federação Paulista de Futebol. Teve destacada atuação no jornal Record em Notícias, o primeiro telejornal que comentava as notícias do dia, em que participavam Hélio Ansaldo, Sonia Ribeiro, Aurélio Campos, Padre Godinho, Milton Peruzzi, Arnaldo Faria de Sá e João Mellão Netto, estes dois últimos atualmente deputados. Murillo era o funcionário mais antigo da TV Record e atualmente trabalhava como editor-chefe e diretor da emissora, função que ocupava desde 1989, permanecendo até sua morte.

    Cobriu também vários acontecimentos contemporâneos importantes, como o casamento do príncipe Charles, da Inglaterra, e a morte e enterro do presidente Tancredo Neves.

    Concomitante à carreira de jornalista,fez carreira pública. Em 1945, seria candidato a deputado estadual pelo Partido Social Democrático (PSD), mas as eleições foram adiadas. Ingressou na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 9 de novembro de 1953, tendo sido o primeiro chefe do Cerimonial da Casa, onde se aposentou em 14 de março de 1985, no cargo de diretor do Cerimonial e Relações Públicas.

    Quando dos seus 50 anos de nomeação no cargo na Assembleia, em 29 de maio de 2003, foi homenageado pela Mesa Diretora do parlamentar paulista, sendo dado seu nome à sala do cerimonial da Casa e uma placa no qual consta os seguintes dizeres: "Na constelação das autoridades o respeito ao protocolo para assegurar a harmonia entre os astros".

    Antônio Sérgio Ribeiro é advogado, pesquisador, e atualmente ocupa o cargo de Diretor Técnico Legislativo do Departamento de Documentação e Informação da Assembléia Legislativa.

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